Especialistas apontam problema no rotor de cauda de helicóptero que caiu no sábado


RIO
– O secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá, adiantou neste domingo que, na perícia preliminar da Polícia Civil, não foram encontradas marcas de tiros nos destroços do helicóptero que caiu anteontem na Avenida Ayrton Senna, em Jacarepaguá, perto da comunidade Cidade de Deus. Segundo ele, o laudo de necrópsia dos quatro policiais do Grupamento Aeromóvel da Polícia Militar (GAM) também indicou que não havia perfurações nos corpos.

— Pelo laudo da necrópsia, não há perfuração nos corpos. Não tem perfuração na aeronave também. Não se descarta nada, nenhuma hipótese, neste primeiro momento. Só a perícia da Aeronáutica vai dizer o que houve. Estamos ansiosos pela conclusão do laudo — afirmou o secretário após o velório dos policiais no Batalhão de Choque, no Centro.

No domingo, o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) fez uma perícia dos destroços. O órgão, no entanto, não informou um prazo para concluir os trabalhos. Disse apenas que as equipes estão coletando dados para, posteriormente, confeccionar o laudo final. Ainda de acordo com o Seripa, a agilidade do trabalho será maior se não houver outro acidente para ser investigado.

Ao analisar as imagens da queda, especialistas ouvidos pelo GLOBO apontaram que possivelmente houve um problema no rotor de cauda. Segundo eles, o laudo final do Seripa pode demorar mais de um ano para ficar pronto.

MANUTENÇÃO EM DIA, DIZ PM

O engenheiro Adalberto Febeliano, professor do curso de Aviação Civil da Anhembi Morumbi, afirma que a rotação do helicóptero, girando em seu próprio eixo durante a queda, pode indicar uma pane no rotor de cauda.

—É uma das piores coisas que podem acontecer no helicóptero. É menos grave ter um problema no motor do que no rotor de cauda. Há procedimentos de emergência para o piloto tentar sair da situação, mas é algo muito difícil, depende da altura e do espaço no solo para fazer o pouso — explicou.

Para o professor Gustavo Cunha Mello, especialista em gerenciamento de risco, apenas armas de fogo de longo alcance poderiam atingir a aeronave.

— O helicóptero estava bem alto e perdeu o rotor de cauda. Por isso, girou no próprio eixo. Então, pode ter sido tiro ou pane. Se for pane, houve problema de manutenção, o que pode indicar mais uma faceta da crise econômica que atravessa o Rio — afirmou.

Um ex-piloto do GAM que pediu para não ser identificado afirmou, no entanto, que a hipótese menos provável é a de problemas mecânicos por falta de manutenção devido à crise financeira do estado.

— O comportamento da aeronave é de pane de rotor de cauda. Os acidentes aéreos acontecem por dois motivos: falha humana ou mecânica. No contexto policial, há os tiros. Ainda não dá para cravar, mas pode ter sido qualquer uma dessas possibilidades. A menos provável é que tenha sido falha mecânica por falta de manutenção. Existe um excesso de zelo. Várias vezes, eu quis decolar, e os mecânicos não autorizaram.

Com a queda do helicóptero, o governo do estado passa a ter agora 20 aeronaves a sua disposição, das quais oito são da PM e três, da Polícia Civil. As outras nove pertencem à Casa Civil (quatro), ao Corpo de Bombeiros (quatro) e à Secretaria estadual de Saúde (uma).

Porta-voz da PM, o major Ivan Blaz afirmou que a manutenção da aeronave estava em dia. Do contrário, não teria saído da base, segundo ele.

— A documentação referente à manutenção da aeronave está em poder do comando da PM, mas é muito prematuro que venhamos a falar sem a perícia da Aeronáutica — disse Blaz, que, mais cedo, afirmou ao G1 que “tudo indica que o helicóptero fez um pouso forçado”.


Globo

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