Com codinome de "falso", Cid Gomes é citado em lista da Odebrecht

Citação, por si só, não significa que Cid tenha recebido repasses irregulares. Em 2010, partido do ex-ministro declarou doação de R$ 200 mil da empreiteira
Ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT) é um dos mais de 200 políticos citados em “listão” da Odebrecht apreendido durante a Operação Lava Jato. No documento, Cid aparece ao lado do valor de R$ 200 mil e do codinome “falso”. A lista cita ainda outro político que seria do Ceará, com iniciais "EO".

A citação, por si só, não significa que Cid tenha sido beneficiário de repasses irregulares. As listas, no entanto, são alvo de investigação da força-tarefa. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o comitê estadual do PSB do Ceará – partido de Cid à época – recebeu doação de R$ 200 mil da empresa em 2010, ano em que o ex-governador disputou reeleição.  

Cid aparece na lista com apelido de "falso"
A doação mostrada, no entanto, foi aprovada como legal pelo TSE e é pública desde a eleição. Procurada pela reportagem, a assessoria do ex-ministro informou, em primeiro contato, que lista que incluiria Cid seria “falsa”. Depois, afirmou que iria apurar o caso. A reportagem não obteve, até este momento, resposta definitiva da assessoria.

Outro cearense

Outro nome que seria do Ceará é incluído na lista. No documento apreendido de número 33, são citadas diversas siglas de Estados, seguidas por iniciais de políticos. Uma delas é "CE-EO". Procurada pela reportagem, a assessoria do senador Eunício Oliveira (PMDB) se disse surpreendida com a informação, mas negou, inicialmente, que fosse ele o citado.

Lista sob sigilo

Relação de políticos integra documentos apreendidos na casa do presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Barbosa, durante a 23ª fase da Lava Jato – batizada de “Acarajé”. Após a lista circular em diversos jornais brasileiros, o juiz responsável pela operação, Sérgio Moro, decretou o sigilo dos documentos na tarde desta quarta-feira, 23.

"Prematura conclusão quanto à natureza desses pagamentos. Não se trata de apreensão no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht e o referido Grupo Odebrecht realizou, notoriamente, diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos", argumentou o juiz.

Nos documentos, são mencionados diversos políticos da base e da oposição, incluindo Humberto Costa (PT-PE), Aécio Neves (PSDB-MG), Romero Jucá (PMDB-RR) e até Eduardo Campos (PSB-PE), morto em 2014. Ao lado dos nomes, são listados diversos valores, além de informações como cargo, partido e “codinome” do político.

Doadora de campanha

Nos últimos anos, a Odebrecht se notabilizou como uma das maiores doadoras de campanhas para políticos no País. Em 2014, a empreiteira doou mais de R$ 48,4 milhões para candidatos individuais ou comitês de partidos.

Segundo a reportagem, algumas tabelas parecem fazer menção a doações de campanha registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São citados inclusive CNPJs e números de contas usadas pelos partidos nas eleições de 2010.



Redação O POVO Online

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